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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Transformação

No deserto seco e arenoso, onde aparentemente não poderia existir vida, uma flor nasceu e desabrochou , contrastando o cenário com imensa beleza.

O pássaro perdido trouxe em seu bico a semente, que germinou no solo, que ele adubou e serviu de adubo.

A semente carregava de sua origem, a vontade de reprodução e continuidade, resistindo em lugar tão diferente.

A flor, antes de morrer, deixou frutos que levavam as sementes descendentes, que se esparramaram no solo quase infértil, quando os frutos desidrataram e caíram.

Num ciclo ferrenho, persistentes, novas flores embelezavam e adubavam, atraindo outros pássaros, que talvez em busca do companheiro desaparecido, decidiram ficar e explorar aquele lugar.

Aos poucos, aquilo que parecia morto, destinado à tristeza e ao sopro incessante do ar quente e infecundo, acreditava, fortalecia, revigorava e acordava para a vida.

Muitas vezes, necessitamos que alguém nos traga a semente da esperança, e que adube com o seu sentimento puro de coragem, paciência, persistência e dedicação, e principalmente, acredite que possamos germinar e desabrochar, que ao acreditarmos, retribuiremos com frutos de carinho e gratidão.

Em um ciclo de reciprocidade, o amor surge e os sentimentos transbordam em solo confiante e fértil, na busca mútua da felicidade, no paraíso que é a vida.

Acreditar no amor e praticar o amor, ao amante ou ao semelhante, nos faz melhor, nos faz transformar o insípido em sápido.

Texto: Scherer Sávio
19/02/2014

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