No deserto seco e arenoso, onde aparentemente não poderia
existir vida, uma flor nasceu e desabrochou , contrastando o cenário com imensa
beleza.
O pássaro perdido trouxe em seu bico a semente, que germinou
no solo, que ele adubou e serviu de adubo.
A semente carregava de sua origem, a vontade de reprodução e
continuidade, resistindo em lugar tão diferente.
A flor, antes de morrer, deixou frutos que levavam as
sementes descendentes, que se esparramaram no solo quase infértil, quando os
frutos desidrataram e caíram.
Num ciclo ferrenho, persistentes, novas flores embelezavam e
adubavam, atraindo outros pássaros, que talvez em busca do companheiro
desaparecido, decidiram ficar e explorar aquele lugar.
Aos poucos, aquilo que parecia morto, destinado à tristeza e
ao sopro incessante do ar quente e infecundo, acreditava, fortalecia,
revigorava e acordava para a vida.
Muitas vezes, necessitamos que alguém nos traga a semente da
esperança, e que adube com o seu sentimento puro de coragem, paciência, persistência
e dedicação, e principalmente, acredite que possamos germinar e desabrochar, que ao acreditarmos, retribuiremos
com frutos de carinho e gratidão.
Em um ciclo de reciprocidade, o amor surge e os sentimentos
transbordam em solo confiante e fértil, na busca mútua da felicidade, no
paraíso que é a vida.
Acreditar no amor e praticar o amor, ao amante ou ao semelhante,
nos faz melhor, nos faz transformar o insípido em sápido.
Texto: Scherer Sávio
19/02/2014
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