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sábado, 23 de novembro de 2013

Melancolia

Pensamento que transborda.
Feito espuma que brota do ralo.
Solidão mascarada.
Uma dose, duas doses, e o talo.
Perfeitas companhias.
Não faltarão oportunidades.
O que queria?
Amanhã quem sabe.
Tentativas frustradas.
Amor esvaindo.
Queria alegria.
Algo acontecendo.
Desculpas esfarrapadas.
Flerte e decisão.
O que pensar então?
Tudo confuso.
Pensamento, sentimento e coração.
Amor perfeito, não fosse a passividade.
E no peito, desejo, paixão e compulsividade.
Vontade.
Desejo.
Fogo.
A pimenta queima e não machuca.
Arde então.
A emoção confundida com a razão.
Beijos, carícias, um jogo.
Palavras doces e rumores.
Olhares, lugares, sabores e dores.
Não seja melancolico.
E pra evitar a confusão.
Não seja tolo.
Melhor enfrentar a solidão.

Texto: Scherer Sávio
24/11/2013

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A Senhorinha II



Janela vazia.

A grade não esconde.

Dobrada na soleira.

A toalhinha.

E a senhorinha?

Está por onde?

Cuidando de si.

De outra maneira.


Texto: Scherer Sávio.
15/11/2013

sábado, 2 de novembro de 2013

A Senhorinha

Olhando através das grades.
A senhorinha, vestida de branco.
Boca pintada e bochechas rosadas.
Sua face aparentava muita idade.
Percebi que o tempo amassa as pessoas.
Sobre uma toalhinha dobrada na soleira da janela.
A mão trêmula tenta lixar as unhas.
Algo tipo turbante na cabeça.
Tudo combinando.
Um colar e brincos dourados.
Vestido com detalhes em renda.
De quando em vez, olhava o movimento.
Pessoas passavam e seu olhar parecia de curiosidade.
Ansiedade visível.
Talvez em sua mente a vontade de sair e andar.
O tempo passou.
As pernas fracas, mal sustentam o corpo que teima ficar em pé.
O que lhe resta é cuidar de si, pra si.
Por momentos, cotovelar a janela.
E daquele ângulo ver a vida passar.
Diferente do que vê-la passar entre quatro paredes.

Texto: Scherer Sávio
02/11/2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Mente que Só Mente



Estar só, de corpo e mente.
Mais de corpo do que de mente.
A mente só viaja ao encontro.
Pensamento vai distante.
Só a mente voa e encontra.
Pra não sentir-se só, a imaginação mente que supre a mente.
Somente o corpo, que não mente, permanece só.
O que pensar da mente, se ela só mente?
Mente pra si só que nunca fica só.
Planta a semente que brota e acompanha.
Semente que supre e brinca de ser mente.
O corpo plantado que não brota.
Experimenta o auto toque e se conforta.
Se às vezes me comporto como demente
Não me proteja de mim nem do mundo lá fora
Não me acolha, não me abra a porta
Não me acorde, não estou dormente
Não me cure, não estou doente
Não me ame, não sou semelhante
A nada exceto uma linha torta escrita no livro que já não importa

Texto: Scherer Sávio e Maroka
29/10/2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Tentando Explicar o Inexplicável

 
 
Às vezes tento explicar o inexplicável,
mas de tanto tentar achar uma explicação,
percebo que inexplicavelmente algo acontece.
 
Da mesma forma que explico
mas não sei ao certo se há uma explicação,
ou se o que quero explicar é explicável.
 
Texto: Scherer Sávio
25/10/2013

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Diferença da Indiferença




A diferença da indiferença,

é que alguns percebem e fingem não perceber.

Alguns não percebem porque a diferença não faz diferença.

Ser diferente é normal.

Outros percebem porque as diferenças sobressaem ao diferente,

e a indiferença passa ser diferente.



Texto: Scherer Sávio
24/10/13

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A Falta de Lentes Complica

No empurra-empurra, o homem fala:
- Um passinho mais à frente, por favor.
Em pé, pendurado feito pernil de açougue.
O passageiro tenta não olhar, mas algo brilha.
Logo ali , no banco, o rosto redondo parecia observar o recém chegado.
Vasta barba, face estranha e assustadora.
Tenta ajeitar os óculos e percebe que os esqueceu.
Olha fixamente, com a testa franzida.
Retribuindo a encarada com olhar de mau.
Mas aquela face não recua.
Enfezado parte pra cima.
Chega mais perto e percebe.
Foi um engano.
O que ele via era uma careca reluzente.
Com borda.

Texto: Scherer Sávio
21/10/13



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Praça

A praça, da água que passava e hoje não passa.
A água fica no lago, que a mulher arrisca o mergulho, e a garça pesca ao amanhecer.
Do monumento, que em outros tempos, quando observava de longe, imaginava ser a escultura de um monstro desconhecido.
Das duas torres em formato de tobogã, que na loucura poderia brincar de escorregar, mas na sanidade, nem pensar, poderia se esborrachar.
Do prédio redondo, que desorienta. Uma bússola seria bem vinda.
Da ponte  de pedra sustentada por três pilares em arco, construída por humanos comercializados feito mercadorias. Testemunha de um passado sofrido, e hoje quase sem sentido, permanece ali exuberante.
Arroio do curso alterado que dá espaço para as edificações e vias.
Um lindo cenário, transformado e criado pelo homem.
A garça é fotografada enquanto o cão conduz o dono.
No gramado, pegando sol, roupas encardidas mas lavadas.
Sob o viaduto há fumaça, e o grupo bem próximo se aquece.
Na parede o texto gravado:
"Marcha de sangue é a marcha da morte".
E no prédio o que se vê?
"Ou caminha com Deus ou dança com o diabo".

Manifestações distintas que expressam um momento, um pensamento, um sentimento.

A praça, que mistura passado e presente.

Para muitos um show. 
Para poucos um chão. 
Que presente!

Texto: Scherer Sávio
09/10/13

Desejos

O moço chega pela primeira vez e vê tantos hamsters suando, com olhar fixo no cronômetro ou ao nada. Se juntasse o tempo e o percurso de todos talvez pudesse chegar ao litoral.
Ah litoral! como ele queria estar sob o sol, apreciando a brisa e ouvindo o barulho das ondas quebrando ao longe sem parar. O sol que arde o corpo, que há tempos não sente o toque do amor. Amor desejado, que sonha da forma mais ávida e entristece ao lembrar que já o teve mas não correspondido.
Gente bonita, mas cada um em seu mundo, nem um sorriso para amenizar o clima. Som alto, urros dos "fisiculturistas", que põe carga muito maior do que podem suportar, talvez para impressionar o vizinho, ou para chegar às formas desejadas.
Desejos e desejos, são tantos, mas a vida é feita de escolhas. Escolha que o moço que procura um lugar entre os hamsters que correm e caminham sem sair do lugar, e não sabe ao certo se o que procura é o lugar, ou preencher o vazio, que os bombados preenchem com massa.
Para aliviar a ansiedade, quem sabe uma massa, com belo molho de tomate, que resulta na borda de catupiry que acumula no abdômem.
Não, esqueça da massa, e vai para o aparelho queimar, aliviar a ansiedade suando, cansando, e pensando que ali entre tanta gente bonita sempre há uma esperança de que o vazio seja preenchido.
Em tempos que a carcaça está mais bem avaliada que o conteúdo. Que a aproximação acontece primeiro pelo que se vê e não pelo que se sente, é melhor dedicar o tempo, para pelo menos chegar perto da forma perfeita e participar da concorrência de maneira mais justa.
Afinal, todos estão ali pelo mesmo motivo.
Então, ele procura uma vaga e corre, mas só corre porque aumentou a velocidade do aparelho, pois a vontade era de estar apreciando a natureza, na praia, acompanhado de um novo amor.

Texto: Scherer Sávio
Set/13

Dor da Perda

A ave sobrevoa ao olhar da mulher, que da sacada, olhos atentos, triste e amargurada, pensa no amante que se foi, e deixou o gosto nos lábios sedentos do beijo molhado, da boca que arde, e não namora há tempos. A árvore cortada, contrariada, a mulher pensa em colar e subir no galho para apalpar o ninho, ninho de amor que transbordava em prazer, antes da ave ficar tonta, e voar de um lado para o outro, querendo descer. Sente que o gosto vira ódio, que vira sinal de esquecimento, fingindo que o amor, nunca aconteceu. O toque forte da mão, os beijos no pescoço que fazia enlouquecer, enquanto a ave cantava e pousava no ninho que desapareceu, assim como o homem que partiu. A estrada ela via, depois que o mato caiu, mas não via seu amor quando vinha, porque a árvore encobria a via, e protegia do sol pra não aquecer. O comportamento é perturbador e a mulher percebe que a casa finda, mas a ave não brinda pois corre em busca de outro lar, talvez na próxima esquina. O sol se põe e as estrelas ofuscadas surgem aos poucos, e no mesmo ângulo percebe que a imagem do céu não muda, mas o cenário abaixo dos olhos mudou, já que os insetos e répteis junto com os pássaros fugiram levando o ruído, enquanto a mulher tenta mudar a forma de viver, sentindo o efeito do tempo nas marcas profundas da face cansada, sem esquecer. Pensa em encontrar alguém que preencha o vazio no peito, que já foi travesseiro e conforto quando o amante sem preconceito chorou e implorou pelo amor que resistiu mas cedeu. Pessoas e bichos sem qualquer aviso, de uma hora para outra, sentem no fundo a dor da perda, seja sentimento, presença, amor ou residência, motivada por um ser egoísta que não pensa, e o que pensa é na sua própria vivência.

Texto: Scherer Sávio
Set/13

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Cama de Gato

Barbante que os dedos entrelaça.
Brinca e constrói formas.
Passatempo antigo, que graça.
Cama de gato.

Queda violenta por desiquilíbrio.
Tenta cabecear e não alcança.
Uma falta, um ludíbrio.
Cama de gato.

Brincadeira sem graça.
Tomando de costas, empurrado pelo peito.
De pernas pro ar, cai o sujeito.
Cama de gato.

Galhos fortes que saem do tronco.
Mangueira, árvore pomposa.
O gato puxa um ronco.
Cama de gato.

Acorda, não se importa.
Faz pose, as orelhas aponta.
O olhar pede pra ficar.
Cama de gato.


Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Em 13/09/2013


Ave Sorrateira



Ao amanhecer.
Na selva de pedra.
Margeando o lago.
A linda ave garante seu café da manhã.

Adaptada ao meio.
Sorrateira, observa a água e mira seu longo bico.
Num bote certeiro, retira do lago o que sobrevive ali.
De bote em bote, se farta e voa.

Ave que pesca.

Texto e Fotografia: Scherer Sávio
12/09/2013



Só o Tempo


Sentindo ódio.
Coração quebrado.
Dor que não finda.
Tempo.
Melhor remédio.
Coração cicatrizado.
Dor que finda.
Mais Tempo
A fila anda.
Coração Aberto.
Amor que entra.
Amantes brindam.



Texto: Scherer Sávio
Em 12/09/2013


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Romance de Lua e Vênus

Lua e Vênus, há tempos, vinham em um flerte incessante.

Dia 08 de setembro de 2013, era chegada a oportunidade.

A lua, assanhada, brilha intensamente. Embora crescente, se prepara para sua nova fase. Sabia que em breve estaria ainda mais interessante, rechonchuda e bela, muito diferente dos padrões dos terráqueos. Fase que se torna ainda mais admirada. Fase que toca as emoções de qualquer ser.

Vênus, safadinho, deixou de ser a estrela Dalva naquela noite, mas também caprichava em seu brilho, e com o ímpeto garanhão resolve aproximar-se lentamente de sua amada. Chega bem pertinho, aproveitando-se da fase que ela está menor. Esperto, sabia que o momento era oportuno, pois o contraste não seria tão grande. Estava certo que não poderia esperar mais, pois quando ela estivesse cheia, seria ofuscado pelo seu brilho excessivo.

A lua, permissiva, adorando a aproximação, percebe que a noite promete. Intenso prazer era o que pensava. Sonhava em ser possuída.

Ambos sabiam do raríssimo encontro e poderiam levar muitos anos para uma nova aproximação. 

Era hora de aproveitar. 

Subitamente, a lua, não resistindo tamanha beleza de Vênus, recolhe-o para trás de si e aproveita o momento loucamente, ocultando-o de qualquer observação. Fazendo aquele pequenino transbordar de prazer.

Exibicionistas, trataram de soprar todas as nuvens e sinais de chuva que pudessem atrapalhar a visibilidade de quem estivesse assistindo o espetáculo.

As constelações e o universo inteiro aplaudiam aquele momento de rara beleza e contribuíam para deixar o cenário ainda mais deslumbrante.

Os amantes estavam adorando protagonizar aquela linda história de amor. Muitas câmeras e flashes direcionados para a cena, a fim de registrar raríssimo encontro. 

Depois de um certo tempo, cansados, mas com sabor de quero mais, foram afastando-se lentamente, da mesma forma que permitiram a aproximação.

Vênus precisava partir. Com beijos de despedida e toques suaves, foram aos poucos se desprendendo para que cada um continuasse sua jornada pelo espaço.

Enquanto se afastavam ambos pensavam na rapidez do encontro e não acreditavam na forma alucinante que se envolveram, muito esperançosos por um reencontro.

O que importava para ambos não era a quantidade, mas a qualidade que se envolviam.

Texto: Scherer Sávio
Em 11/09/2013




sábado, 7 de setembro de 2013

Aglomero

Ao amanhecer, 
as artérias da metrópole, 
 em fluxo mais intenso, 
aglomeram pessoas e coisas.


Texto e Fotografia: Scherer Sávio
06/08/2013




Sinais de Primavera


Flor que sai do tronco.
Flor que se gruda ao tronco.
Flor no topo. 
Tronco oco. 
Pássaro pousa. 
Cachorro rega. 
Palmeira alta. 
Flor amarela. 
Moça deitada. 
No gramado repousa. 
Olhar para o nada. 
De ouvido atenta. 
Formiga trabalha. 
Corta e carrega. 
Chafariz que jorra. 
Chuva fina que molha.
Em harmonia com o sol. 
Arco-íris forma. 
Crianças brincam. 
Adultos flertam. 
Beijos apaixonados. 
Amizade colorida. 
Ar de primavera. 
Assim é a vida.




Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Parque da Redenção - Porto Alegre
Em 07/09/2013

Inspiração da Madrugada

Cansado, sem sono.
Me recosto na almofada.
Fecho os olhos, e o que vejo é luz.
Ao fundo cantoria dos pássaros.
Rotina nos meus últimos dias.
Doce sinfonia, se pudesse o mundo pararia.
Onde é a campainha?
Pediria para descer.
Só para  ouvir a sinfonia.
Filme policial na tv, muitos tiros, mortes, ação, gritaria.
Mudo o canal., e o que vejo?.
Falta de apetite.
Coma ostra para uma bela noite de amor.
Quem é a pessoa certa?
Indivíduos se atraem.
Cada casal é um casal.
A atração e o flerte juntos movem a humanidade.
Será?

Texto: Scherer Sávio
Em 07/09/2013

E Agora?

Alta  noite já se ia.
Ou será amanhecer?
Ouço cantoria.
Espero o sol  nascer.
Linda sinfonia
Que alegra o meu ser.
Nenhuma estrela brilha.
A estrela maior traz o dia.
A lua passou.
O que restou?
Lembranças.
Fotografias na escadaria.
Dança até o chão, quem diria?

Juras de add nas redes sociais.

Mas qual o nome?
Não perguntei e nem perguntaram.
E agora?
Gente boa.
Quero ser amigo. 
Se me gostaram.
Me procurem também.
Eu procuro.
Prometo.


Texto e Fotografia: Scherer Sávio

Em 07/09/2013






Amor que Corrói

Amor, o que dizer?
Senti, como esquecer?
Perguntas e perguntas.
Agora eu quero respostas.
Um amor que se vai.
Que se exclui do facebook, mas o sonho é tão real. 
Nunca entendi por que se foi.
Mas no momento alivio senti.
O tempo passou.
Mas lá no fundinho o amor resistiu.
Saudade, saudade que me corrói.
Queria você aqui.
Viver muito mais do que vivemos.
Rápido no começo.
Mais rápido no fim.
Queria te ver agora.
Sentir teu gosto. 
Teu cheiro.
Teu toque. 
Longe, por quê?
Se perto eu te amaria.
Saber que você está em outros braços, consome meus sentimentos.
Quem eu queria é você nesse momento.

Texto e Fotografia; Scherer Sávio

Em 07/09/2013

Um amor que se foi.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Orientação Perigosa

O piá, muito pequeno, aprendia aos poucos a atravessar a rua sozinho.
Era uma via íngrime.
Do outro lado a mãe.
Assistindo o filho, orientava.
Olha para cima e para baixo antes de atravessar.
Com disposição, ele olhou para o céu e para o chão, seguindo literalmente a mensagem recebida.
E atravessou.
Inocente, não havia aprendido ainda a  interpretação de mensagens.
Se soubesse, olharia para os lados.
Por sorte do destino, a rua não era movimentada.
Eis a importância da transmissão e da interpretação.
Bem feitas.

Texto: Scherer Sávio
em 06/09/2013
Baseado em fato real.



Triste Fim


Rua de um só sentido.
O homem, precavido, olha para o lado que julga certo.
Nada que movimenta se aproxima.
Tem certeza.
Um passo em frente e na faixa toca com um dos pés.
Talvez por daltonismo ou desantenção, não percebe a ciclovia.
No sentido contrário ao que olhou, um veículo de duas rodas, uma atrás da outra, chega acelerado.
Colisão inusitada.
Foram ao chão.
É chegada a hora.
Com a queda a cabeça quebrou.
Na faixa de "insegurança", o homem morreu.
Rápido e triste fim.

Texto: Scherer Sávio
Em 05/09/2013



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Inveja

A inveja, 
sentimento vil.
Eu repudio, 
seja amigo, colega, ou tio.
Sentimento, 
ato ou efeito de sentir
Se for inveja, 
é necessário banir.
Muito antes de Caim e Abel, 
ela surgiu.
Como tendência moral, 
e seguiu.
Se o que sente 
é avidez.
Procure sempre 
a lucidez.
Lucidez para perceber.
Que a inveja é um sentimento ruim.
Que a admiração é um sentimento bom.
A inveja prejudica.
Prejudica o invejoso.
Prejudica o invejado.
E por que existir então?
Me explica.
Eu estou errado?

Texto: Scherer Sávio
em 05/09/2013

Sentidos


Pela janela, observava parasitas, em uma relação harmoniosa, com árvores centenárias e hospedeiras.
Nos galhos, pássaros se alimentavam das sementes, e em coro cantavam sem parar.
Várias espécies juntas, bem-te-vis, canários, pardais, papagaios e caturritas, formavam uma sinfonia verdadeira.
O vento gelado movimentava as folhas e formava ondas rasas no vasto rio.
Raios de sol adentravam iluminando e aquecendo o ambiente.
O frio à  margem  era um tanto diferente.
A casa que já foi residência, lembra  a época do requinte.
Difícil a concentração.
Vontade de sair correndo.
Não pela cantoria, ou pela palestrante em seu discurso.
Mas pelo anseio de estar lá fora apreciando aquele momento único.
Numa metrópole, onde se vê dia após dia, pessoas correndo e se aglomerando, que tentam sobreviver ao consumismo exagerado.
Não bastasse os adereços nas orelhas, os fones de ouvidos pendurados provocam a imersão no mais profundo autismo.
Tempo em que as relações afetivas se distanciam, e o ser humano se entrega ao mundo virtual e das redes sociais.
Poderia afirmar com convicção, que aquele momento feérico era um agigantado privilégio.
Pena que a atribuição da hora não permitia juntar-me à natureza.
O que restava era assistir o espetáculo pela janela.
Sentidos divididos.
Alguns dentro e outros fora.
Afinal, a maioria é em dobro por quê?


Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Treinamento da empresa
Bairro Tristeza - Porto Alegre
em 04/09/2013.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Reencontro

Hoje retorno a ti porto, que já foste dos casais.

Agora tu és alegre, e bonito demais.
Uma semana fora, me fez sentir saudades.
Dos filhinhos, dos amigos e também de ti cidade.
Porto Alegre tu não tens mar, mas tu tens o Rio Guaiba.
Tens um lindo por do sol e paisagens perfeitas.
Desbotado saí e bronzeado voltei.
Muitas praias conheci e de todas eu gostei.
Mas as praias do teu Guaiba, têm beleza e encanto.
Tem sol, ondas,  mata, e também areia branca.
Sai muito feliz, pois precisava relaxar.
Retorno mais feliz, pelo fato de te reencontrar.

Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Voo Maceio/Brasilia em 25.08.2013

Um só pé

Vasta praia de beleza esplendorosa.
Água límpida de um mar inigualável.
Ondas rasas,  piscinas naturais.
Formações rochosas e musgos, onde o inorgânico mistura-se ao orgânico.
Na  imensidão, algo minúsculo se move.
Seus movimentos, em ritmo psicodélico, chamam a atenção.
As ondas trazem  e a pequena ave cata.
Difícil o equilíbrio.
Ave de um só pé.
Piedoso e curioso, pensei:
Acidente ou nascença?
Não importa.
Resistiu e viva está.

Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Dunas de Marapé - AL = Escrito em 02/09/2013

domingo, 1 de setembro de 2013

Coqueiro Torto



Na praia sem porto, mas com maravilhoso cenário.

Vejo aqui um coqueiro torto e solitário.


Texto e Fotografia: Scherer Sávio

Em 21/08/13 Praia do Gunga - AL

Escultura

Na bancada, 
os corpos nús,
esculpidos na pedra, 
lapidados, 
destoam da pedra.

Se entrelaçam, pernas e braços,
e as cabeças,
pensativos,
encostam.





Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Em 29/08/2013

Lembranças de Maceió

Calor, chuva, céu, mar que vai de azul a verde.
Areia, praia, caipirinha, água de côco e sol que arde.
Colonias de corais, piscinas naturais de água morna e fria.
Mergulho de casais, ondas nada iguais, e também muita calmaria.
Lagoas parecidas, falezias coloridas em tons degradê.
Cana-de-açúcar, pinga, palmeiras exibidas, paisagens de enlouquecer.
Carangueijos, mangue, pau de arara, resíduos que viram arte.
História, índios, escravos, quilombo e Zumbi dos Palmares.
Riqueza, luxo, pobreza, miseria de dar dó.
Levo comigo fotos e lembrancas da linda Maceió.








Texto e Fotografias: Scherer Sávio
Maceió - Alegoas em 22/08/2013


Recado


Chamou-me a atenção,
enquanto andava,
um bilhete fixado
no  para-brisa do veículo estacionado.
Curioso,
não resisti,
parei para le-lo, com cuidado.
Era um recado,
que alguém incomodado,
deixava visível.
O bilhete dizia:
“Te liga meu,
da próxima vez,
vê se estaciona o teu carro,
numa vaga do tamanho dele.
Assim, tu não tumultua a entrada e  a saída do imóvel”.
O motorista,
sem noção de tamanho ou espaço,
estaciona o carro,
talvez por pressa, acaba
avançando um tanto de cada lado.
Fiquei imaginando,
a reação daquele infrator,
quando o recado encontrasse.
Talvez a vergonha,
pudesse tocá-lo
e aquele ato
não mais repetisse,
ou não.

Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Porto Alegre em 29/08/13