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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Sentidos


Pela janela, observava parasitas, em uma relação harmoniosa, com árvores centenárias e hospedeiras.
Nos galhos, pássaros se alimentavam das sementes, e em coro cantavam sem parar.
Várias espécies juntas, bem-te-vis, canários, pardais, papagaios e caturritas, formavam uma sinfonia verdadeira.
O vento gelado movimentava as folhas e formava ondas rasas no vasto rio.
Raios de sol adentravam iluminando e aquecendo o ambiente.
O frio à  margem  era um tanto diferente.
A casa que já foi residência, lembra  a época do requinte.
Difícil a concentração.
Vontade de sair correndo.
Não pela cantoria, ou pela palestrante em seu discurso.
Mas pelo anseio de estar lá fora apreciando aquele momento único.
Numa metrópole, onde se vê dia após dia, pessoas correndo e se aglomerando, que tentam sobreviver ao consumismo exagerado.
Não bastasse os adereços nas orelhas, os fones de ouvidos pendurados provocam a imersão no mais profundo autismo.
Tempo em que as relações afetivas se distanciam, e o ser humano se entrega ao mundo virtual e das redes sociais.
Poderia afirmar com convicção, que aquele momento feérico era um agigantado privilégio.
Pena que a atribuição da hora não permitia juntar-me à natureza.
O que restava era assistir o espetáculo pela janela.
Sentidos divididos.
Alguns dentro e outros fora.
Afinal, a maioria é em dobro por quê?


Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Treinamento da empresa
Bairro Tristeza - Porto Alegre
em 04/09/2013.

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