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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Cama de Gato

Barbante que os dedos entrelaça.
Brinca e constrói formas.
Passatempo antigo, que graça.
Cama de gato.

Queda violenta por desiquilíbrio.
Tenta cabecear e não alcança.
Uma falta, um ludíbrio.
Cama de gato.

Brincadeira sem graça.
Tomando de costas, empurrado pelo peito.
De pernas pro ar, cai o sujeito.
Cama de gato.

Galhos fortes que saem do tronco.
Mangueira, árvore pomposa.
O gato puxa um ronco.
Cama de gato.

Acorda, não se importa.
Faz pose, as orelhas aponta.
O olhar pede pra ficar.
Cama de gato.


Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Em 13/09/2013


Ave Sorrateira



Ao amanhecer.
Na selva de pedra.
Margeando o lago.
A linda ave garante seu café da manhã.

Adaptada ao meio.
Sorrateira, observa a água e mira seu longo bico.
Num bote certeiro, retira do lago o que sobrevive ali.
De bote em bote, se farta e voa.

Ave que pesca.

Texto e Fotografia: Scherer Sávio
12/09/2013



Só o Tempo


Sentindo ódio.
Coração quebrado.
Dor que não finda.
Tempo.
Melhor remédio.
Coração cicatrizado.
Dor que finda.
Mais Tempo
A fila anda.
Coração Aberto.
Amor que entra.
Amantes brindam.



Texto: Scherer Sávio
Em 12/09/2013


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Romance de Lua e Vênus

Lua e Vênus, há tempos, vinham em um flerte incessante.

Dia 08 de setembro de 2013, era chegada a oportunidade.

A lua, assanhada, brilha intensamente. Embora crescente, se prepara para sua nova fase. Sabia que em breve estaria ainda mais interessante, rechonchuda e bela, muito diferente dos padrões dos terráqueos. Fase que se torna ainda mais admirada. Fase que toca as emoções de qualquer ser.

Vênus, safadinho, deixou de ser a estrela Dalva naquela noite, mas também caprichava em seu brilho, e com o ímpeto garanhão resolve aproximar-se lentamente de sua amada. Chega bem pertinho, aproveitando-se da fase que ela está menor. Esperto, sabia que o momento era oportuno, pois o contraste não seria tão grande. Estava certo que não poderia esperar mais, pois quando ela estivesse cheia, seria ofuscado pelo seu brilho excessivo.

A lua, permissiva, adorando a aproximação, percebe que a noite promete. Intenso prazer era o que pensava. Sonhava em ser possuída.

Ambos sabiam do raríssimo encontro e poderiam levar muitos anos para uma nova aproximação. 

Era hora de aproveitar. 

Subitamente, a lua, não resistindo tamanha beleza de Vênus, recolhe-o para trás de si e aproveita o momento loucamente, ocultando-o de qualquer observação. Fazendo aquele pequenino transbordar de prazer.

Exibicionistas, trataram de soprar todas as nuvens e sinais de chuva que pudessem atrapalhar a visibilidade de quem estivesse assistindo o espetáculo.

As constelações e o universo inteiro aplaudiam aquele momento de rara beleza e contribuíam para deixar o cenário ainda mais deslumbrante.

Os amantes estavam adorando protagonizar aquela linda história de amor. Muitas câmeras e flashes direcionados para a cena, a fim de registrar raríssimo encontro. 

Depois de um certo tempo, cansados, mas com sabor de quero mais, foram afastando-se lentamente, da mesma forma que permitiram a aproximação.

Vênus precisava partir. Com beijos de despedida e toques suaves, foram aos poucos se desprendendo para que cada um continuasse sua jornada pelo espaço.

Enquanto se afastavam ambos pensavam na rapidez do encontro e não acreditavam na forma alucinante que se envolveram, muito esperançosos por um reencontro.

O que importava para ambos não era a quantidade, mas a qualidade que se envolviam.

Texto: Scherer Sávio
Em 11/09/2013




sábado, 7 de setembro de 2013

Aglomero

Ao amanhecer, 
as artérias da metrópole, 
 em fluxo mais intenso, 
aglomeram pessoas e coisas.


Texto e Fotografia: Scherer Sávio
06/08/2013




Sinais de Primavera


Flor que sai do tronco.
Flor que se gruda ao tronco.
Flor no topo. 
Tronco oco. 
Pássaro pousa. 
Cachorro rega. 
Palmeira alta. 
Flor amarela. 
Moça deitada. 
No gramado repousa. 
Olhar para o nada. 
De ouvido atenta. 
Formiga trabalha. 
Corta e carrega. 
Chafariz que jorra. 
Chuva fina que molha.
Em harmonia com o sol. 
Arco-íris forma. 
Crianças brincam. 
Adultos flertam. 
Beijos apaixonados. 
Amizade colorida. 
Ar de primavera. 
Assim é a vida.




Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Parque da Redenção - Porto Alegre
Em 07/09/2013

Inspiração da Madrugada

Cansado, sem sono.
Me recosto na almofada.
Fecho os olhos, e o que vejo é luz.
Ao fundo cantoria dos pássaros.
Rotina nos meus últimos dias.
Doce sinfonia, se pudesse o mundo pararia.
Onde é a campainha?
Pediria para descer.
Só para  ouvir a sinfonia.
Filme policial na tv, muitos tiros, mortes, ação, gritaria.
Mudo o canal., e o que vejo?.
Falta de apetite.
Coma ostra para uma bela noite de amor.
Quem é a pessoa certa?
Indivíduos se atraem.
Cada casal é um casal.
A atração e o flerte juntos movem a humanidade.
Será?

Texto: Scherer Sávio
Em 07/09/2013

E Agora?

Alta  noite já se ia.
Ou será amanhecer?
Ouço cantoria.
Espero o sol  nascer.
Linda sinfonia
Que alegra o meu ser.
Nenhuma estrela brilha.
A estrela maior traz o dia.
A lua passou.
O que restou?
Lembranças.
Fotografias na escadaria.
Dança até o chão, quem diria?

Juras de add nas redes sociais.

Mas qual o nome?
Não perguntei e nem perguntaram.
E agora?
Gente boa.
Quero ser amigo. 
Se me gostaram.
Me procurem também.
Eu procuro.
Prometo.


Texto e Fotografia: Scherer Sávio

Em 07/09/2013






Amor que Corrói

Amor, o que dizer?
Senti, como esquecer?
Perguntas e perguntas.
Agora eu quero respostas.
Um amor que se vai.
Que se exclui do facebook, mas o sonho é tão real. 
Nunca entendi por que se foi.
Mas no momento alivio senti.
O tempo passou.
Mas lá no fundinho o amor resistiu.
Saudade, saudade que me corrói.
Queria você aqui.
Viver muito mais do que vivemos.
Rápido no começo.
Mais rápido no fim.
Queria te ver agora.
Sentir teu gosto. 
Teu cheiro.
Teu toque. 
Longe, por quê?
Se perto eu te amaria.
Saber que você está em outros braços, consome meus sentimentos.
Quem eu queria é você nesse momento.

Texto e Fotografia; Scherer Sávio

Em 07/09/2013

Um amor que se foi.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Orientação Perigosa

O piá, muito pequeno, aprendia aos poucos a atravessar a rua sozinho.
Era uma via íngrime.
Do outro lado a mãe.
Assistindo o filho, orientava.
Olha para cima e para baixo antes de atravessar.
Com disposição, ele olhou para o céu e para o chão, seguindo literalmente a mensagem recebida.
E atravessou.
Inocente, não havia aprendido ainda a  interpretação de mensagens.
Se soubesse, olharia para os lados.
Por sorte do destino, a rua não era movimentada.
Eis a importância da transmissão e da interpretação.
Bem feitas.

Texto: Scherer Sávio
em 06/09/2013
Baseado em fato real.



Triste Fim


Rua de um só sentido.
O homem, precavido, olha para o lado que julga certo.
Nada que movimenta se aproxima.
Tem certeza.
Um passo em frente e na faixa toca com um dos pés.
Talvez por daltonismo ou desantenção, não percebe a ciclovia.
No sentido contrário ao que olhou, um veículo de duas rodas, uma atrás da outra, chega acelerado.
Colisão inusitada.
Foram ao chão.
É chegada a hora.
Com a queda a cabeça quebrou.
Na faixa de "insegurança", o homem morreu.
Rápido e triste fim.

Texto: Scherer Sávio
Em 05/09/2013



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Inveja

A inveja, 
sentimento vil.
Eu repudio, 
seja amigo, colega, ou tio.
Sentimento, 
ato ou efeito de sentir
Se for inveja, 
é necessário banir.
Muito antes de Caim e Abel, 
ela surgiu.
Como tendência moral, 
e seguiu.
Se o que sente 
é avidez.
Procure sempre 
a lucidez.
Lucidez para perceber.
Que a inveja é um sentimento ruim.
Que a admiração é um sentimento bom.
A inveja prejudica.
Prejudica o invejoso.
Prejudica o invejado.
E por que existir então?
Me explica.
Eu estou errado?

Texto: Scherer Sávio
em 05/09/2013

Sentidos


Pela janela, observava parasitas, em uma relação harmoniosa, com árvores centenárias e hospedeiras.
Nos galhos, pássaros se alimentavam das sementes, e em coro cantavam sem parar.
Várias espécies juntas, bem-te-vis, canários, pardais, papagaios e caturritas, formavam uma sinfonia verdadeira.
O vento gelado movimentava as folhas e formava ondas rasas no vasto rio.
Raios de sol adentravam iluminando e aquecendo o ambiente.
O frio à  margem  era um tanto diferente.
A casa que já foi residência, lembra  a época do requinte.
Difícil a concentração.
Vontade de sair correndo.
Não pela cantoria, ou pela palestrante em seu discurso.
Mas pelo anseio de estar lá fora apreciando aquele momento único.
Numa metrópole, onde se vê dia após dia, pessoas correndo e se aglomerando, que tentam sobreviver ao consumismo exagerado.
Não bastasse os adereços nas orelhas, os fones de ouvidos pendurados provocam a imersão no mais profundo autismo.
Tempo em que as relações afetivas se distanciam, e o ser humano se entrega ao mundo virtual e das redes sociais.
Poderia afirmar com convicção, que aquele momento feérico era um agigantado privilégio.
Pena que a atribuição da hora não permitia juntar-me à natureza.
O que restava era assistir o espetáculo pela janela.
Sentidos divididos.
Alguns dentro e outros fora.
Afinal, a maioria é em dobro por quê?


Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Treinamento da empresa
Bairro Tristeza - Porto Alegre
em 04/09/2013.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Reencontro

Hoje retorno a ti porto, que já foste dos casais.

Agora tu és alegre, e bonito demais.
Uma semana fora, me fez sentir saudades.
Dos filhinhos, dos amigos e também de ti cidade.
Porto Alegre tu não tens mar, mas tu tens o Rio Guaiba.
Tens um lindo por do sol e paisagens perfeitas.
Desbotado saí e bronzeado voltei.
Muitas praias conheci e de todas eu gostei.
Mas as praias do teu Guaiba, têm beleza e encanto.
Tem sol, ondas,  mata, e também areia branca.
Sai muito feliz, pois precisava relaxar.
Retorno mais feliz, pelo fato de te reencontrar.

Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Voo Maceio/Brasilia em 25.08.2013

Um só pé

Vasta praia de beleza esplendorosa.
Água límpida de um mar inigualável.
Ondas rasas,  piscinas naturais.
Formações rochosas e musgos, onde o inorgânico mistura-se ao orgânico.
Na  imensidão, algo minúsculo se move.
Seus movimentos, em ritmo psicodélico, chamam a atenção.
As ondas trazem  e a pequena ave cata.
Difícil o equilíbrio.
Ave de um só pé.
Piedoso e curioso, pensei:
Acidente ou nascença?
Não importa.
Resistiu e viva está.

Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Dunas de Marapé - AL = Escrito em 02/09/2013

domingo, 1 de setembro de 2013

Coqueiro Torto



Na praia sem porto, mas com maravilhoso cenário.

Vejo aqui um coqueiro torto e solitário.


Texto e Fotografia: Scherer Sávio

Em 21/08/13 Praia do Gunga - AL

Escultura

Na bancada, 
os corpos nús,
esculpidos na pedra, 
lapidados, 
destoam da pedra.

Se entrelaçam, pernas e braços,
e as cabeças,
pensativos,
encostam.





Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Em 29/08/2013

Lembranças de Maceió

Calor, chuva, céu, mar que vai de azul a verde.
Areia, praia, caipirinha, água de côco e sol que arde.
Colonias de corais, piscinas naturais de água morna e fria.
Mergulho de casais, ondas nada iguais, e também muita calmaria.
Lagoas parecidas, falezias coloridas em tons degradê.
Cana-de-açúcar, pinga, palmeiras exibidas, paisagens de enlouquecer.
Carangueijos, mangue, pau de arara, resíduos que viram arte.
História, índios, escravos, quilombo e Zumbi dos Palmares.
Riqueza, luxo, pobreza, miseria de dar dó.
Levo comigo fotos e lembrancas da linda Maceió.








Texto e Fotografias: Scherer Sávio
Maceió - Alegoas em 22/08/2013


Recado


Chamou-me a atenção,
enquanto andava,
um bilhete fixado
no  para-brisa do veículo estacionado.
Curioso,
não resisti,
parei para le-lo, com cuidado.
Era um recado,
que alguém incomodado,
deixava visível.
O bilhete dizia:
“Te liga meu,
da próxima vez,
vê se estaciona o teu carro,
numa vaga do tamanho dele.
Assim, tu não tumultua a entrada e  a saída do imóvel”.
O motorista,
sem noção de tamanho ou espaço,
estaciona o carro,
talvez por pressa, acaba
avançando um tanto de cada lado.
Fiquei imaginando,
a reação daquele infrator,
quando o recado encontrasse.
Talvez a vergonha,
pudesse tocá-lo
e aquele ato
não mais repetisse,
ou não.

Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Porto Alegre em 29/08/13


Criança sem Teto



A noite é uma criança,

a noite não tem teto.

Talvez por isso tantas crianças,

dormem ao relento.

Texto e fotografia: Scherer Sávio
2005

Quem Sou?




Estou aqui parada, desde que nasci. 
Nuvens, sol, vento, chuva, muitas coisas eu vi.
Casais apaixonados, outros nem tanto.
O que me faz permanecer aqui é o encanto.
Parceiras amigas comigo estão.
Pequenas, médias, grandes, vivas então.
Em um lindo cenário, onde o mar recua.
Vejo pessoas vestidas, outras quase nuas.
Algumas cuidam de mim.
Outras me maltratam, porque isso é assim?
Mas como sou estável, revidar não é possível.
Estar aqui imóvel, muitas vezes é horrível.
Sou dependente, da chuva, do sol, da terra.
Mas o que tenho em mente, é que a vida é para paz e não para guerra.
Agora está anoitecendo.
Ouço pagode ao fundo.
Percebo que alguém está escrevendo.
Será que é para o mundo?
Uma chuva afastou, mas acabou unindo.
Vejo pessoas se protegendo e o escritor se emocionando.
Não sei qual o motivo, mas sei que é profundo.
Pessoas pedintes passam, coisa de dar dó.
Mas eu estou plantada, numa praia de Maceió.
Ouço coisas lindas, e também muitas asneiras.
Só sei que estou tranquila, porque sou uma Palmeira.

Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Na banca do seu Antonio Carlos.
Praia de Pajuçara - Maceió - AL

Regalo à Luisa

Naquele lugar, interessante.
Pessoas cruzam olhares, a todo instante.
Cerveja, cigarro, boemia.
Em grupos, sozinhos, várias tribos, que alegria!
Casais resolvidos, amigos e amigos, celebram a vida.
Declarações de amizade e reciprocidade, amor à vida.
Se tu não viesse, ficaria deprimido, o cara dizia.
Eu amo vocês, de verdade, a moça insistia.
Na mesa ao lado, alguém declarava, faço terapia.
Os outros olhavam, mas que bobagem, e sorriam.
Sentir-se louco, entre os loucos, eu poderia.
O que é a loucura? me perguntei outras vezes, não soube responder.
De médico e louco, to mundo tem um pouco, um ditado talvez.
A curiosidade aguçou a menina, que olhava e sorria, mas não sabia.
Não sabia o que dizer, para conhecer o que tanto eu escrevia.
Olhei e sorri, e pude sentir o alvedrio daquela guria.
Para satisfazer, aquele interesse, e a simpatia, num instante falei, é uma poesia.
Curiosa eu sou, ela afirmou, desde que nasci.
Eu prometi, e rápido escrevi, aquele regalo, e ela esperou.
Luisa, dá-me tua mão, a saideira, espera ou não.


Texto: Scherer Sávio
Em 29/08/13
Bahamas Bar - Porto Alegre

Cobrador de Ônibus

A simpatia era algo. 


Sua função é cobrar e não sorrir.


Foi o que pensei.

Olhar sério, talvez tímido. 

Aquele bigodão, que mais parecia a cola de um gambá,



 preferi pensar no percurso, 



que os dentes escondia.


Texto: Scherer Sávio

Em 29/08/2013

Gunga Vive



Gunga Vive


Momento criativo, vontade de escrever.

Tudo tão maravilhoso, muito difícil de descrever.

Sob um guarda-dol de sapê, protejo pra não arder.

Bebendo uma devassa, observo Gunga viver.

Texto e Fotografia: Scherer Sávio
 Praia do Gunga - Alagoas em 21/08/2013

Colo do Poeta


      

Os poetas homenageados, 
um em pé, e o outro sentado.
No banco da praça, no colo recosta.
O camumbembe, em panos envolto.
Se protege do frio, na perna conforta.
Transeuntes percebem, vida sofrida.
Homenagem pra uns, Quintana e Drumond,
árvores abrigam.
O teto é o céu,
para quem dorme ao léu,
triste vida.
 Texto e Fotografia: Scherer Sávio
Praça da Alfândega - Porto Alegre - RS em 30/08/2013